Acesse: https://biblioteca.semarnat.gob.mx/janium/Documentos/Ciga/libros2018/CD007487.pdf
Resumo
O texto apresenta o milho como um elemento central da identidade histórica, cultural, ambiental e econômica do México, reconhecido como seu centro de origem e diversificação genética. Cultivado e transformado ao longo de milênios pelos povos originários, o milho representa não apenas a base da alimentação mexicana, mas também um patrimônio biocultural associado aos conhecimentos ancestrais, às práticas agrícolas tradicionais e às relações entre comunidades e natureza.
A publicação destaca a importância da preservação das variedades nativas de milho e do sistema agrícola tradicional da milpa, desenvolvido a partir dos conhecimentos indígenas sobre os solos, o clima e a biodiversidade. Entretanto, essa herança encontra-se ameaçada pelo abandono das áreas rurais, pela migração, pela interrupção da transmissão intergeracional de conhecimentos e pela expansão das sementes transgênicas, que aumentam a dependência econômica e tecnológica dos agricultores em relação às grandes empresas.
Nesse contexto, o Dia Nacional do Milho, celebrado em 29 de setembro, constitui uma iniciativa de valorização da diversidade agrícola e cultural mexicana. Criada em 2009 pelo movimento Sem Milho Não Há País, a comemoração mobiliza comunidades indígenas, agricultores, instituições educacionais e organizações sociais em defesa das sementes nativas e da soberania alimentar.
Em 2021, os ministérios mexicanos do Meio Ambiente e da Educação promoveram atividades educativas e culturais envolvendo 3.887 escolas de todo o país. A iniciativa resultou em uma publicação que reúne fotografias, desenhos, relatos e receitas produzidos por estudantes, documentando diferentes relações sociais, culturais e afetivas com o milho.
O texto também relaciona a preservação desse patrimônio às políticas de incentivo à agricultura sustentável, à redução do uso de agrotóxicos e à valorização da produção agrícola destinada ao autoconsumo.
Ideia central: O milho é compreendido como um patrimônio biocultural vivo, resultado de milhares de anos de relações entre povos indígenas, comunidades camponesas e natureza. Sua preservação depende não apenas da conservação das sementes e da biodiversidade, mas também da continuidade dos conhecimentos ancestrais, das práticas culturais e da autonomia das comunidades agricultoras.