
Repositório UNIFESP: https://repositorio.unifesp.br/items/841de4de-3d18-4353-873b-3547101fb8c5
Citação
PINTO, Luis Miguel Rocha. Florestas vivas, registros mortos: a persistência da descendência Tupiniquim em São Paulo (1818–1860). 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História) – Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2026.
RESUMO: Esse trabalho de conclusão de curso é a primeira etapa de uma investigação com objetivo de localizar a presença de descendentes Tupiniquim e as interações com Europeus e Africanos no território paulista, entre 1818 e 1860. Também teve por objetivo situar a presença de comunidades e núcleos familiares que residiam fora dos territórios dos núcleos coloniais e do Império brasileiro, questionando a construção de narrativas e da historiografia sobre os “vazios demográficos”, entre elas, os diários e relatos de viagem de seis naturalistas europeus que percorreram São Paulo entre 1817 e 1850, além de três mapas históricos produzidos entre 1847 e 1868. A análise dessas fontes permite discutir como categorias estigmatizantes para rotular os descendentes foram mobilizadas como instrumentos da ideologia do poder colonial, voltadas ao controle, à vigilância e ao apagamento das evidências históricas da presença indígena e de suas descendentes. Isso é demonstrado utilizando uma leitura a contrapelo (Benjamin, 1994) dessas fontes, articulada aos conceitos de persistência Indígena, micro-resistência e colonialidade do poder, buscando compreender as continuidades de práticas ancestrais nas comunidades florestais. Os resultados demonstram que o suposto vazio demográfico correspondia, em grande medida, a um apagamento produzido pelas categorias coloniais de classificação e pelos registros administrativos, e não à ausência de populações. As fontes revelam a permanência de descendentes Tupiniquim em diferentes regiões da província, a continuidade de práticas agroflorestais, formas comunitárias de organização e estratégias cotidianas de resistência à expansão colonial e mercantil. Conclui-se que essas populações constituíram agentes históricos ativos na preservação de seus territórios, saberes e modos de vida, contribuindo para uma releitura da história Indígena paulista no século XIX e para os debates contemporâneos sobre reconhecimento de comunidades tradicionais e territorialidades Indígenas.