Esta linha de pesquisa será desenvolvida sob as versões mais contemporâneas da Arqueologia de Gênero e Feminista (Segato, 2010; Jancz et al., 2018; Sempértegui, 2020; Montón-Subías, 2021) destacando as estratégias organizacionais de solidariedade das mulheres Indígenas e Afrodescendentes na preservação das práticas tradicionais, territórios e na continuidade das alianças. O gênero é acionado para compreender o papel central das mulheres para cultivar a floresta (McNee, 2021), na produção cerâmica e outras materialidades, e nas conexões afetivas entre as pessoas e o meio ambiente. Assim, aumenta a possibilidade teórico-metodológica de expandir e rever interpretações do passado, mostrando agências de mulheres ignoradas nas perspectivas ocidentais heteronormativas das relações familiares (Franklin, 2001; Conkey, 2003; Ribeiro, 2017; Martins, 2020). Battle-Baptiste (2011) ressalta que “não há fórmula estabelecida” para pensar uma Arqueologia Negra Feminista, sendo necessário abordagens que integrem teorias e práticas de diversas disciplinas, como antropologia, história, narrativas diversas, história oral, estudos de materialidade, feminismos Indígenas, entre outras. A análise de gênero deve ser local, reconhecendo a miríade de relações nas comunidades de práticas (Wendrich, 2012).
Legenda foto: Memória (Yacunã Tuxá)
Referências:
Battle-Baptiste, Whitney. 2011. Black Feminist Archaeology. Walnut Creek: Left Coast Press.
Conkey, Margaret W. 2003. Has feminism changed archaeology?, Journal of Women in Culture and Society, 28 (3): 867–880.
Franklin, Maria. 2001. A Black feminist-inspired archaeology?.Journal of Social Archaeology, 1 (1): 108–125.
Jancz, Carla; Marques, Glaucia; Nobre, Miriam; Moreno, Renata; Miranda, Rosana; Saori, Sheyla, & Franco, Vivian. 2018. Feminist Practices for Economic Change Women’s autonomy and agroecology in the Vale do Ribeira region. Karen Lang (Trans.). SOF Sempreviva Organização Feminista.
Martins, Renata Maria de Almeida. 2020. Práticas de re-existência e opção decolonial nas artes da Amazônia: indígenas pintoras e redes de circulações locais/globais de saberes e objetos. In Renata Martins; Luciano Migliaccio (Org.), No embalo da rede: trocas culturais, história e geografia artística do Barroco na América Portuguesa, 1. ed. Sevilha: UPO / Enredars, volume 13: 343-364.
McNee, Malcolm. 2021. Indigenous Women on the Frontlines of Climate Activism: The Battle for Environmental Justice in the Amazon, Sônia Guajajara and Célia Xakriabá. Spanish and Portuguese Faculty Publications, Smith College, Northampton, MA.
Montón-Subías, Sandra. 2021. Otros pasados son posibles. Discurso y arqueología feminista. Discurso & Sociedad, 15(3): 569-587.
Ribeiro, Loredana. 2017. Crítica feminista, arqueologia e descolonialidade. Revista de Arqueologia, 30 (1): 210-234.
Segato, Rita. 2010. Género y colonialidad: en busca de claves de lectura y de un vocabulario estratégico decolonial, In A. Quijano & J. M. Navarrete (Eds.), La Cuestión Descolonial. Universidad Ricardo Palma/Cátedra América Latina y la Colonialidad del Poder. (s/p).
Sempértegui, Aida. 2020. Decolonizing the anti-extractive struggle: Amazonian women’s practices of forest-making in Ecuador, Journal of International Women’s Studies, 21 (7): 122-138.
Wendrich, Willeke. 2012. Archaeology and Apprenticeship: Body Knowledge, Identity, and Communities of Practice. Tucson: The University of Arizona Press.