Tema: Arqueologia da Alimentação: Ajeum – Uma Introdução à Comensalidade Africana e Afro-brasileira
Data: 26/02/2026
Convidada: Rosinalda Olaséní C. da Silva Simoni; Quilombola Omó Orixá e umbundista; PhD em História, mestra em arqueologia e cientista da religião, pesquisadora na UNIFESP/Campus Guarulhos, professora na PUC-Goiás.
A alimentação constitui um dos campos mais férteis para a compreensão das relações sociais, econômicas, simbólicas e ambientais ao longo do tempo. A Arqueologia da Alimentação, em diálogo direto com os estudos de cultura material, permite investigar não apenas o que se comeu no passado, mas também como os alimentos foram produzidos, preparados, consumidos e descartados, bem como os significados em diferentes contextos históricos e culturais. No campo das comunidades tradicionais a arqueologia da alimentação se torna um instrumento de resistência e afirmação identitária, exercendo um papel de importância para a arqueologia pública.
A arqueologia da alimentação tem se consolidado como um campo interdisciplinar fundamental para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas, simbólicas e políticas das sociedades humanas. Quando deslocada para uma perspectiva afro-ameríndia, essa abordagem ultrapassa a análise de vestígios alimentares enquanto restos orgânicos ou utensílios de consumo, passando a compreender a alimentação como tecnologia ancestral, linguagem cultural e arquivo histórico da diáspora indígena e africana. No contexto brasileiro, e especialmente nos territórios quilombolas e indígenas, a comida constitui um eixo estruturante da memória coletiva, da territorialidade e da resistência cultural e identitária.
Com essa premissa, este simpósio propõe reunir pesquisas que abordem a alimentação a partir da materialidade associada às práticas alimentares, saberes, fazeres e viveres, incluindo utensílios, estruturas, resíduos, paisagens produtivas, tecnologias culinárias e cadeias operatórias. Busca-se destacar o alimento como elemento aglutinador entre natureza e cultura, bem como marcador de identidades, hierarquias sociais, resistências, continuidades e transformações culturais.
O Conversas no ARGPEL/LEA é um projeto de extensão organizado pelo ARGPEL – Grupo de Pesquisa Arqueologia do Gênero da Persistência e da Liberdade (CNPq) e pelo Laboratório de Estudos Arqueológicos (LEA) da UNIFESP (Campus Guarulhos). Os encontros focam no diálogo interdisciplinar entre arqueologia, gênero, território e práticas de resistência.
PROJETO JOVEM PESQUISADOR FAPESP 2024/04746-1