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Informações: marianne.sallum@gmail.com
Arqueologia da Alimentação: Ajeum uma Introdução à comensalidade Africana e Afro-brasileira
Rosinalda Olaséní C. da Silva Simoni; Quilombola Omó Orixá e umbandista; PhD em História, mestra em arqueologia e cientista da religião, pesquisadora na UNIFESP/Campus Guarulhos, professora na PUC-Goiás.
A alimentação constitui um dos campos mais férteis para a compreensão das relações sociais, econômicas, simbólicas e ambientais ao longo do tempo. A Arqueologia da Alimentação, em diálogo direto com os estudos de cultura material, permite investigar não apenas o que se comeu no passado, mas também como os alimentos foram produzidos, preparados, consumidos e descartados, bem como os significados em diferentes contextos históricos e culturais. No campo das comunidades tradicionais a arqueologia da alimentação se torna um instrumento de resistência e afirmação identitária; exercendo um papel de importância para a arqueologia pública. A arqueologia da alimentação tem se consolidado como um campo interdisciplinar fundamental para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas, simbólicas e políticas das sociedades humanas. Quando deslocada para uma perspectiva afro-amerindia, essa abordagem ultrapassa a análise de vestígios alimentares enquanto restos orgânicos ou utensílios de consumo, passando a compreender a alimentação como tecnologia ancestral, linguagem cultural e arquivo histórico da diáspora indígena e africana. No contexto brasileiro, e especialmente nos territórios quilombolas e indígenas, a comida constitui um eixo estruturante da memória coletiva, da territorialidade e da resistência cultural e identitária. Com essa premissa, este simpósio propõe reunir pesquisas que abordem a alimentação a partir da materialidade associada às práticas alimentares, saberes, fazeres e viveres, incluindo utensílios, estruturas, resíduos, paisagens produtivas, tecnologias culinárias e cadeias operatórias. Busca-se destacar o alimento como elemento aglutinador entre natureza e cultura, bem como marcador de identidades, hierarquias sociais, resistências, continuidades e transformações culturais.
Archaeology of Food: Ajeum — An Introduction to African and Afro-Brazilian Commensality
Rosinalda Olaséní C. da Silva Simoni; Quilombola, Omó Orixá, and Umbanda practitioner; PhD in History, Master’s in Archaeology and in Religious Studies; researcher at UNIFESP/Guarulhos Campus and professor at PUC-Goiás.
Food constitutes one of the most fertile fields for understanding social, economic, symbolic, and environmental relations over time. Archaeology of Food, in direct dialogue with material culture studies, makes it possible to investigate not only what was eaten in the past, but also how food was produced, prepared, consumed, and discarded, as well as the meanings attributed to these practices in different historical and cultural contexts. Within traditional communities, archaeology of food becomes an instrument of resistance and identity affirmation, playing an important role in public archaeology. Archaeology of food has consolidated itself as a fundamental interdisciplinary field for understanding the social, economic, symbolic, and political dynamics of human societies. When reframed through an Afro-Amerindian perspective, this approach goes beyond analyzing food remains merely as organic residues or utensils of consumption, instead understanding food as ancestral technology, cultural language, and a historical archive of Indigenous and African diasporas. In the Brazilian context, and especially within quilombola and Indigenous territories, food constitutes a structuring axis of collective memory, territoriality, and cultural and identity resistance. Based on this premise, this symposium proposes to bring together research that addresses food through the materiality associated with food practices, knowledge systems, ways of making, and ways of living, including utensils, structures, residues, productive landscapes, culinary technologies, and operational sequences. It seeks to highlight food as an element that binds nature and culture, as well as a marker of identities, social hierarchies, resistance, continuities, and cultural transformations.