A linha de pesquisa sobre materialidades compreende a análise das interações entre povos Indígenas, AfroIndígenas, Afrobrasileiros, Europeus e Eurobrasileiros, especialmente em São Paulo, mas também as itinerâncias por outras partes do território brasileiro, revelando agências, persistências, processos de apropriação e transformação, relações de gênero, tecnologias ancestrais, identidades e linguagens.

A investigação abrange análises morfológicas, métricas e fotográficas, reconstruções digitais, estudos documentais e linguísticos, e a cocriação de espaços de memória com representantes das comunidades do projeto. Isso envolve processos de ressignificação do passado, biointerações, sentidos e afetos – como vasilhas cerâmicas, cestarias, contas de vidro, estruturas residenciais, plantas, vestígios alimentares, entre outras materialidades, atualmente guardados em museus e instituições culturais.

Tais informações são centrais para criar um banco de memória colaborativo para que as histórias possam ser contadas pelas comunidades envolvidas de maneiras que não foram “consideradas no momento da criação do registro” (Thorpe, 2024: 139), especialmente para a preservação das práticas ancestrais (Flores-Muñoz, Sallum & Balanzátegui, 2024; Tuxá et al., 2024)). Neste sentido, o projeto atuará como facilitador, contribuindo no levantamento e análise dos dados para que as comunidades sejam guardiãs de suas memórias e materialidades dispersas em várias instituições. 

A parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná, com outras instituições brasileiras e, internacionalmente, com o Museu Britânico – Santo Domingo Centre of Excellence for Latin American Research e o Centro de Arqueologia (UNIARQ) da Universidade de Lisboa, permitirá o acesso a acervos relevantes para comparar coleções dispersas e promover o avanço da construção de novas interpretações.

Legenda foto: Museu Casa do Artesão, Apiaí, Alto Vale do Ribeira, São Paulo.

Referências:

Flores-Muñoz, Julieta; Sallum, Marianne; Balanzátegui, Daniela. 2024. The materiality of remembering and affective alliance: a dialogue between communities and archaeology on the coast of São Paulo, Brazil and Veracruz, Mexico. International Journal of Historical Archaeology. DOI: https://doi.org/10.1007/s10761-024-00765-3.


Thorpe, Kirsten. 2024. Returning love to Ancestors captured in the archives: Indigenous wellbeing, sovereignty and archival sovereignty, Arch Sci, 24: 125–142. 

Tuxá, Yacunã; Gambrell, Natasha; Apyká, Luã; Morseau, Blaire; Silliman, Stephen W.; Balanzátegui, Daniela.; Sallum, Marianne. 2024. Indigenous archaeologies, territories, and human rights: dialogues among representatives of the Tupi Guarani, Tuxá, and Eastern Pequot. Agora. DOI: https://doi.org/10.25660/AGORA0015.E1YP-MV02.

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